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Sesc e IF Sertão-PE sediam evento que celebra diversidade musical e estética dos povos indígenas

Vozes, instrumentos musicais e pisadas ritmadas evocaram, na noite desta segunda-feira (6), toda a magia do universo transcendente e ancestral dos povos originários do Brasil. Promovida pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), em parceria com o Núcleo de Estudos e Pesquisas Afrobrasileiros e Indígenas (Neabi), do IF Sertão-PE, a 22ª edição do maior projeto de circulação musical do país, o Sonora Brasil, transformou o Teatro Dona Amélia, em Petrolina, numa extensão dos solos sagrados dos povos Truká, de Cabrobó (PE), Fulni-ô, de Águas Belas (PE), e Kariri-Xocó, de Porto Real do Colégio (AL). 

Antes mesmo das demonstrações musicais e estéticas dos povos indígenas dos sertões pernambucano e alagoano, o público já havia presenciado, também no Teatro Dona Amélia, uma roda de conversa com Riakunã, da etnia Kariri-Xocó, Xumaiá Kaká, da Fulni-ô e Cláudia Truká, mediada pela professora de História do campus Petrolina, Edivânia Granja. No centro da discussão, a memória cultural dos povos indígenas e a importância de manter e defender as identidades étnicas em suas diversas expressões. 


Representantes de três etnias discorreram sobre a memória cultural dos povos indígenas

Depois de afirmar que Pernambuco tem a quarta maior população indígena do Brasil, com a presença de aproximadamente 60 mil pessoas, a professora Edivânia destacou a resistência dos povos em um cenário de implacável perseguição colonial. De acordo com ela, existir indígena no Nordeste brasileiro, no século XXI, “é um ato heroico”. Atualizando a experiência de luta, Cláudia Truká lembrou que as ameaças coloniais permanecem na atual conjuntura.

“A violência contra o nosso povo foi enorme, que não se consegue reparar. Não há reparo que corrija o que nós vivemos. E hoje a gente vive um retrocesso. A vontade de dizimar os povos indígenas desse país é a mesma da época do processo de colonização, que coloca pra sociedade que índio não precisa de terra”, ressaltou ela, acrescentando que “não existe privilégio para os povos indígenas. Existe luta, resistência e afirmação de uma identidade”. 

Cláudia Truká atualizou a experiência de luta dos povos ante as ameaças contemporâneas

Diversos aspectos de afirmação da identidade indígena foram destacados pelos participantes da roda de conversa, dentre os quais os rituais sagrados, as danças, os cantos (toantes), os saberes tradicionais e a religiosidade sincrética. Todos esses elementos constituidores da identidade étnica dos povos originários do Brasil se expressaram nas apresentações da noite desta segunda-feira (6), quando subiram ao palco do Teatro Dona Amélia os grupos Trukás, Memória Fulni-ô e Dzubucuá, dos Kariris-Xocós. A reação do público foi de surpresa e encanto com a força da ancestralidade sonora dos povos. 

A apresentação Dzubucuá, dos Kariris-Xocós, encantou e emocionou o público presente ao Teatro Dona Amélia

Na tarde desta terça-feira (7), foi a vez de o auditório do campus Petrolina receber a programação do Sonora Brasil, com a aula-espetáculo de Wadja Fulni-ô. Em cerca de uma hora e meia, Wadja falou sobre os desafios de manter vivas as tradições, línguas, saberes e rituais dos Fulni-ôs, no compromisso de ancestralidade com a alma do seu povo. Foi a partir da discriminação sofrida na escola tradicional que ela empreendeu uma profunda pesquisa com os anciãos da sua comunidade, tornando-se atualmente uma referência na educação e pesquisa dos povos tradicionais. 

Depois de responder aos questionamentos do público e fazer uma demonstração da língua Fulni-ô, Wadja ressaltou a importância do diálogo com os estudantes do Instituto. “Foi muito válido estar aqui, porque é através desses encontros que a gente pode mostrar os valores da cultura, da língua e da história indígena. Sem dúvida esses jovens vão aprender a valorizar mais”, afirmou ela. 

Wadja Fulni-ô falou sobre aspectos culturais de seu povo para estudantes e professores do campus Petrolina

Para a estudante do curso de Licenciatura em Música do campus Petrolina, Dalila Nascimento, a aula-espetáculo foi uma oportunidade de superar alguns estereótipos sobre a vida dos povos indígenas. “Eu achei muito preciso ter esse evento, Sonora Brasil, aqui no IF. Ajudou muito a desconstruir o pensamento do que é não só o índio Fulni-ô, mas o índio do Brasil”, afirmou ela. 

Entre as intervenções da aula-espetáculo, a professora Edineide Torres elogiou e agradeceu a Wadja Fulni-ô

Ainda nesta terça-feira (7), às 19h, foi exibido o filme “Martírio”, dos diretores Vicente Carelli, Ernesto de Carvalho e Tita, que documenta o massacre sofrido, ao longo de séculos, pelos índios Guarani Kaiowá, uma das maiores populações indígenas do Brasil e que habita o Centro-Oeste. Como todos os povos tradicionais do país, os Guarani Kaiowá enfrentam o mesmo tipo de ameaça destacado por Cláudia Truká na roda de conversa que abriu a programação do Sonora Brasil: de que as forças de repressão, organizadas pelo Estado ou pelos latifundiários, pecuaristas e fazendeiros exterminem os indígenas e tomem para si os territórios sagrados e secularmente preservados pelos povos originários do país. 

Se depender da força sonora e guerreira dos povos, a resistência continuará dando o tom. 

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